Foi notícia no mundo inteiro, quando 33 trabalhadores
chilenos ficaram presos no subsolo de uma mina de cobre no Chile, em 2010. O
drama deles comoveu pelo ineditismo neste novo século, e por expor ao público
as agruras desta importante atividade. Principalmente quando realizada abaixo
da terra, método com tendência a ser substituído pela mineração a céu aberto. Pois
em Arroio dos Ratos já foi igual ao vizinho país sul-americano. Desde o século
XIX, este escuro mineral era retirado das profundezas para gerar a energia necessária
a iniciante industrialização do sul, e para mover os trens repletos de gentes e
mercadorias a cruzarem o pampa. Mas queimar o carvão com o intuito de gerar eletricidade,
passou a ser alternativa à região, com a instalação da companhia que ergueu um
prédio industrial para este fim, em 1924. Mas que o abandona em 1956 com o fim
da atividade, tornando ruína uma parte de sua estrutura, eque hoje recebe os
que apenas imaginam como seria esta arriscada atividade.
25 de novembro de 2016
Museu do Carvão em Arroio dos Ratos
21 de novembro de 2016
Luzes de Garibaldi
18 de novembro de 2016
Biguá
Um mar com menos banhistas neste novembro
ainda não tão quente, é convidativo ao passeio das aves que cada
vez mais frequentam o litoral gaúcho. Em Atlântida, o pescoço de um Biguá
estava à mostra nas fracas ondas onde se molha só abaixo dos joelhos. A fome
bateu e o peixe está no fundo? Então basta mergulhar para pegá-lo. Para esta
simpática ave também conhecida por mergulhão fica mais fácil, pois suas penas
se encharcam tanto, que não fica ar entre elas facilitando a submersão. E ele fica bom tempo por baixo aparecendo sempre
um pouco mais adiante, enganando quem quer apreciar a cena ou fazer um singelo
vídeo. Nosso retilíneo litoral tem muita surpresa pra mostrar.
17 de novembro de 2016
As Nereidas de Pelotas e da Escócia
As dezenas de filhas do Deus Nereu senhor dos mares,
espalhavam sua beleza por oceanos sem fim, por vezes a cavalgar mitológicas e
misteriosas criaturas marinhas. A magia das Nereidas como ficaram estas belas
conhecidas, foi perfeita inspiração para a criação de uma bem elaborada fonte
de água, por um artista francês. Mostrada na exposição internacional de Londres
em 1862, foi replicada em ferro fundido na vizinha Escócia e na distante América do Sul. A Ross
Fountain enfeita um amplo parque central ao lado de um tradicional castelo de
Edinburgo, e sua irmã centraliza a Praça Coronel Pedro Osório no coração de
Pelotas. Em ambas, as delicadas figuras femininas que se sobressaem na parte
mais alta do monumento, trazem objetos que representam a ciência, a arte, a poesia
e a indústria.
Sua nobre função de abastecer com água a população que pagava por cada litro dali retirado mesmo a noite a luz de candelabros, começou com sua inauguração em 1873. Era a modernidade que chegava, pela iniciativa da companhia hidráulica local, substituindo um antigo pelourinho onde escravos eram açoitados já havia mais de 40 anos. Outras três fontes foram instaladas na cidade, como a que existiu em frente à Catedral, e que permanece misteriosamente desaparecida. A versão escocesa da Fonte das Nereidas inaugurada uma ano antes, foi adquirida por um fabricante de armas que a doou a cidade, e possui exatamente as mesmas figuras da parte central. Mas não tem as irmãs montadas em garbosos cavalos, ou mesmo as salientes luminárias, que circundam a beira do lago formado pela fonte sulista. A delicada beleza deste monumento é mais um exemplo de que temos riquezas por vezes comparáveis e até mesmo superiores, ao que existe em outros lugares mais visitados.
29 de julho de 2014
Saga alemã
A flor desenhada a
duras penas no pedaço de couro trazido pelo tropeiro, e que agora seu unia a
madeira, poderia ter ficado melhor. Talvez mais parecida com as da bem cuidada
floreira da janela do quarto de sua mãe. Mas talvez o tamanco que acabara de
concluir não fosse do gosto da pretendente. Ou o pior. As distintas religiões de
seus pais talvez não permitissem a aproximação deles. Ao menos durante o ofício,
as agruras da vida dura na colônia, haviam amenizado. Se não fosse agora,
seria depois. Mas haveria de constituir uma família, para dar sequência a saga dos
primeiros....
Que começou às margens do Rio dos Sinos em um 25 de Julho, talvez
frio como foi esta última sexta-feira. Está fazendo 190 anos que um grupo de germânicos de
diferentes províncias, aportou no que hoje é o centro de São Leopoldo, para
fazer história no sul do continente... Os que sobreviveram à dura travessia
oceânica e o sinuoso rio, ainda tiveram que abrir mato com os poucos recurso
que tinham, para se estabelecer plantando o que dava em um solo totalmente
novo... E veio o comércio com os gaúchos, e as cidades com suas cassas de comércio e suas igrejas.
E as festas com suas músicas e cores. E flores. Chegando a uma indústria criativa que hoje vai muito além do couro e do calçado. Em uma
verdadeira nação, de disciplinada gente de rosto rosado. A madeira
do mato que caiu, para dar lugar às primeiras plantações, serve para
erguer as primeiras casas em seu inconfundível tramado enxaimel. Com
o desafio vencido de por comida na mesa e paredes de pé, as cortinas rendadas e
as flores coloridas foram chegando nas janelas a mostrar que havia algo
diferente naqueles vales.
E o espírito de união familiar se
fortaleceu com a presença de duas correntes religiosas nem sempre unidas como
a comunidade.Com templos espalhados em todos os cantos, católicos e
protestantes, orientaram e orientam seus fiéis em cultos e missas, de Taquara a Santa
Cruz, passando pela agitada Novo Hamburgo. Sinos, relógios, órgãos e coloridos vitrais, representam
nestes ícones sociais, a fé e o respeito às instituições. Mostrando ainda, uma grande capacidade construtiva materializada no complexo estilo gótico. Apesar de que lá no Ferrabraz, uma
terceira via com outras filosofias ousou enfrentar as duas doutrinas, resultando
em um capítulo triste em uma história de construção. Mas por trás da rigidez dos
cabelos claros, há um povo alegre que não se furta a rodar vestidos coloridos
ao som do trompete das bandas folclóricas, em uma tarde qualquer de céu azul. A
bávara festa de Outubro, regada a muita cerveja, toca os corações dos
descendentes e dos visitantes.
Os desfiles nas ruas principais de Santa Cruz do Sul ou Igrejinha, são um convite
para a comunidade se ver em uma espécie de espelho. Que reflete sua história de amor ao
trabalho dedicado, e a arte trazida do norte da Europa.E essa história segue sendo construída a cada jornada, com um sentimento de
dever cumprido permeando no sangue de cada um que tem antepassados que falam a língua alemã. Desde os que ainda
conduzem um carro de boi a transportar o resultado de uma colheita farta, até os que
criam novas cores, que enfeitarão a moda do couro da próxima estação.
E o mesmo capricho e a mesma inspiração, usados para
enfeitar os pés de mulheres do mundo inteiro, se faz presente em outros
segmentos de indústria, comércio e serviços, de uma região onde a qualidade de
vida é, como o trabalho, extremamente valorizada. Sempre preocupados com o que os cercam,
seus olhos quase sempre azuis são vigilantes no cuidado da família, e do lar.
Estendendo-se a sua comunidade e seus espaços de convívio. E isto fica muito
claro nos canteiros floridos das simpáticas cidades do interior como Nova
Petrópolis ou Ivoti. Isolados muitas vezes pela dureza de um passado de poucas
tecnologias, e por falar um língua tão distante aos que o cercavam; foram
erguendo suas sociedades frente a olhares curiosos, e muitas vezes
preconceituosos. Principalmente pelo que acontecia na pátria-mãe nas
guerras do século XX. Mas a integração com os demais ocupantes das
planícies, vales e serras deste pedaço da América, foi avançando e derrubando
barreiras, como não podia deixar de ser. E as marcas e ícones foram ficando de
referência de um passado que ainda merece ser devidamente descoberto e
valorizado, como toda a história do continente. As comemorações da data de sua
chegada, buscam homenagear esta saga de homens e mulheres, acima de tudo,
corajosos. Que atravessaram um vasto e perigoso oceano para deixar um legado.
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